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Empresários e executivos pedem mais rapidez dos governos

Luiza Trajano: “Não é hora de vaidades ou discussões sobre competências, a população já estava cansada disso, e não admitirá divisões com
objetivos eleitoreiros”

A pandemia de covid-19 colocou o país e o mundo em uma “economia de guerra” e, para superar a crise, o governo precisa adotar medidas de proteção às pessoas, mas também às empresas. A avaliação é comum a empresários e executivos de diversos setores. Para eles, as medidas econômicas não podem esperar. “É necessário caminhar rapidamente com planos que possibilitem a tranquilidade já durante a quarentena, em todos os níveis: Executivo, Legislativo e Judiciário, da União, Estados e municípios, para que haja condições para que os cidadãos não sejam assombrados com o fantasma do desemprego e da insegurança financeira para sustentar suas famílias”, escreveu a empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, em texto publicado em sua conta no Linkedin no domingo à noite.

A empresária já havia publicado um vídeo dias atrás em rede social em que pede que empresas evitem demitir funcionários. Agora, no texto, ela diz que é “hora da verdadeira união de forças contra um inimigo comum que está assolando o mundo e do próximo que virá, o risco da miséria. Não é hora de vaidades ou discussões sobre competências, a população já estava cansada disso, e agora não admitirá divisões com objetivos eleitoreiros ou de aumento de poder.”

Ela defende o avanço das reformas já em discussão, além da injeção de “muito dinheiro na economia”, como já está anunciando os EUA, e incentivos para empresas evitarem demissões, além de programas de incentivos para a população.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, também destacou a necessidade de ações que olhem para a saúde e para a economia. “É preciso preservar a renda das pessoas, mas com as portas fechadas as empresas correm o risco de fechar. É importante que tenhamos medidas que cuidem dos CNPJs e dos CPFs. É preciso agir com bom senso, preservando os isolamentos sociais e os grupos de risco, mas sem o fechamento de estradas e acessos. O Brasil não aguenta ficar um mês parado”, afirmou. Pimentel considerou que a medida provisória 927, publicada no fim de semana, apresenta pontos positivos para o setor produtivo. Mas considera necessário fazer mudanças. “O governo deveria fazer uso do FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador] para pagar salários neste momento”, sugeriu.

O presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, disse ontem que “sozinho, o setor não vai conseguir sair dessa crise”. Ele pediu agilidade e maior clareza do governo federal na definição de medidas de apoio às empresas. A entidade encaminhou ontem um documento a autoridades as solicitações do setor, que incluem isenção ou redução do IPTU, desoneração da folha de pagamento e adiamento de pagamento de PIS, Cofins, IRPF e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). “Se o governo não conseguir montar de forma clara e sólida medidas de apoio ao setor, será impossível manter empregos”, disse Humai.

Ele reforçou um discurso que começa a crescer entre empresários, de que a conta que as companhias devem pagar com a paralisação das atividades pode ser alta demais. “Será que é necessário realmente todos ficarem fechados? É uma pergunta que faço. Claro que considerando um movimento de melhora desse quadro de contágio em 15 dias, e apenas se isso melhorar, será que não vale a pena considerar uma abertura paulatina das lojas?”

Paulo Solmucci: "É uma falácia isso de que o delivery será uma salvação, porque temos limitações de atendimento por esse canal"


Paulo Solmucci Jr, presidente da Abrasel disse que as empresas do setor sentem que há falta de definição sobre as medidas de ajuda por parte do governo. Ele disse, citando uma pesquisa do JP Morgan, que os estabelecimentos têm caixa para se sustentar por cerca de 15 dias. A Abrasel afirma que o sistema de entrega em domicílio não está ajudando a equilibrar as contas do setor.

“É uma falácia isso de que o delivery será uma salvação, porque temos limitações de atendimento por esse canal, e continuamos com um custo fixo que representa 45% da receita mensal, em parte pelo peso do pagamento de salários”, disse Solmucci Jr. “O delivery já está colapsando porque é uma estrutura limitada. Todos os dias converso com membros do governo, e estamos aguardando uma MP, uma medida, qualquer coisa, que traga alguma definição”, disse.

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