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Ano começou agora! O que esperar do food service em números e ações?

  • PUBLICADO EM: 27/03/2025
  • Tempo estimado de leitura: minuto(s).

Entenda como o setor fechou o ano de 2024, se a recuperação se intensificará em 2025 e o que esperar do ano que começa para valer agora, depois do carnaval

O serviço de alimentação fora de casa deve registrar uma expansão de 6,25% para o ano de 2025, o que corresponde a um consumo de 241 bilhões de reais. Os dados são do Instituto Foodservice Brasil (IF). Isso representa uma recuperação consistente depois do desmanche do setor durante a pandemia.

Além disso, há boas notícias no que diz respeito ao aumento da lucratividade dos estabelecimentos. Cerca de 55% dos operadores já haviam observado um aumento de faturamento no primeiro semestre de 2024 em comparação com o ano anterior, e 86% reportaram lucratividade.

Os dados são de um levantamento feito pela ANR (Associação Nacional de Restaurantes), em companhia da GALUNION – consultoria especializada no mercado foodservice – e da ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos).

Esse desempenho é resultado de tendências como a crescente demanda do mercado, ampliação do delivery, aumento da frequência do trabalho presencial, necessidade de espaços de conveniência e abertura de lojas. Isso tudo deve se replicar no ano que começa, segundo analistas e operadores do setor.

Para Alan Parise, sócio-fundador e Diretor de Projetos da Mais1.Café, uma das maiores redes de cafeterias do Brasil, empreender no food service é uma oportunidade promissora para quem busca retorno financeiro e rápido crescimento.

“O mercado está aquecido, com consumidores cada vez mais interessados em soluções práticas e de qualidade, abrindo espaço para novos modelos de negócios e inovações no segmento”, afirma Parise.

Dicas práticas para começar ou ampliar os negócios em 2025

Parise diz que para quem pretende ingressar ou ampliar suas atividades no mercado em 2025, “é essencial estudar o público-alvo e o comportamento de consumo, como faixa etária, hábitos de compra e preferências” antes de escolher a rede a qual se filiará.

Além disso, diz ser importante compreender o alcance daquilo que será vendido, com uma análise da aceitação no mercado, potencial de inovação e competitividade. “Com essas informações, o principal caminho para compreender o setor torna-se avaliar as tendências que chegam, que variam de áreas diversas, como tecnologia e sustentabilidade”, diz.

Dentro do setor, o empreendedor deve estar atento aos tipos de negócio em ascensão. Ele destaca opções no modelo de store in store e lojas de conveniência, “que permitem ampliar o alcance da marca, otimizar recursos e atender às demandas de um consumidor cada vez mais prático e exigente”.

Outro ponto importante é o processo de inovação e uso de novas tecnologias. Não se trata de ser algo disruptivo exatamente. É preciso que as novas ferramentas gerem valor, e isso pode estar relacionado a soluções já amplamente disseminadas no mercado.

“Para promover qualidade no atendimento e garantir o retorno dos consumidores, é essencial investir em mecanismos que facilitem esse diálogo, como investir em soluções rápidas de pagamento, autoatendimento personalizado, fidelização a partir de ativações diretas, como cashback e prêmios, que resulte em melhorias nos processos e serviços”, ressalta Parise.

E, ainda que as máquinas estejam ocupando espaços importantes no food service, o que faz a diferença em termos de experiência e eficiência ainda são, prioritariamente, os funcionários.

Por isso, Parise destaca a necessidade de investir na profissionalização dos colaboradores. Dados da dados da pesquisa ‘A Visão dos Operadores de Foodservice’ produzida pela parceria entre a Associação Nacional de Restaurantes (ANR), Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) e Galunion, mostram que 34% dos estabelecimentos no país alegam a falta de profissionais qualificados.

“Para isso, é primordial investir em capacitação e profissionalização de colaboradores, a fim de proporcionar a oportunidade de se aprofundar ou aprender uma nova profissão, além de ter uma taxa significativa de retenção de talentos”, diz o sócio da cafeteria.

“Aqui na Mais1.Café, por exemplo, profissionalizamos os candidatos que se tornam baristas, a fim de capacitar para o atendimento e ofertar uma nova profissão”, exemplifica Parise.

Experiência e sustentabilidade

A Selmi, responsável pelas marcas Renata, Galo e Todeschini, aponta que vê no horizonte uma “transformação acelerada em 2025”. Segundo a companhia, a mudança será “impulsionada pela busca crescente dos consumidores por saúde, sustentabilidade e novas experiências gastronômicas”.

Dentro disso, já em 2023, uma pesquisa da WW (Weight Watchers) em parceria com o Instituto Kantar apontava que 91% dos brasileiros estão focados em melhorar ou manter sua saúde e bem-estar. E, nesse sentido, a indústria tem apostado bastante em produtos que busquem manter a experiência indulgente e acrescentar valor nutricional.

Nesse sentido, a busca por alimentos crocantes é um dos pontos de destaque pensando em experiência de consumo, segundo dados do Conselho de Tendências do Whole Foods Market.

Além disso, a flexibilidade no consumo é um dos pontos de destaque para este ano, de acordo com a Worth Global Style Network (WGSN). Isso significa que, em uma época de escassez de tempo, os alimentos práticos e versáteis ganham espaço.

Delivery

Segundo a pesquisa da ANR/ Galunion/ ABIA, o delivery se consolida como essencial para o setor, com 25% dos operadores reportando que esse canal responde por até 40% do faturamento.

Ainda assim, 11% dos negócios ainda não implementaram o serviço, mostrando uma oportunidade de expansão para o segmento.

Já o vale-refeição/voucher encontra-se com menos adesão: 31% dos operadores pesquisados não aceitam essa forma de pagamento, enquanto 27% indicam que representa entre 11% e 20% do faturamento.

“Enquanto para alguns isso pode ser uma oportunidade, também indica que o mix de meios de pagamentos se alterou ao longo do tempo, graças a opções como PIX e cartão, e que a solução é importante apenas para parte do mercado”, explicam, em comunicado, as instituições envolvidas no estudo.

Inovar, mas também apostar no tradicional

O mercado de alimentos orgânicos caminha para atingir 995,96 bilhões de dólares até 2032, segundo o Market Research Future. Assim, fica evidente a manutenção desse segmento como um dos pontos de destaque para serem explorados pelos operadores do setor.

Mas, é possível inovar dentro do cardápio também de outra maneira. Para atrair mais clientes, 77% dos operadores estão investindo em inovação de produtos, como pratos e sobremesas diferenciados, segundo a pesquisa da Galunion e entidades do setor.

“Inovar constantemente exige compreender o que faz sentido para os seus consumidores nas ocasiões de consumo mais relevantes do momento. Após a pandemia, temos tanto a questão de produtos economicamente acessíveis como o fortalecimento da experiência e do encontro entre as pessoas”, comenta Simone Galante, fundadora e CEO da Galunion.

Apesar disso, existe ainda uma grande importância das receitas tradicionais. Cerca de 71% destacam pratos clássicos e populares como aposta para atrair mais clientes.

Isso está em linha com algo observado por alguns especialistas do setor, que enxergam a alta da inflação e uma possível estabilização da renda e aumento do desemprego em 2025 como ponto de preocupação para o setor, que poderia ser reduzido pela aposta em soluções baratas e acessíveis.

Jean Pontara, consultor e especialista no setor de food service diz que o almoço de segunda a sexta, com valores encaixados para região onde está posicionado o empreendimento, não deve perder volume. Nesse sentido, ele diz que pode haver uma mudança de alguns hábitos dos consumidores. Isso inclui o abandono do refrigerante, das sobremesas e bebidas alcoólicas para a redução do tíquete médio.

“Normalmente, o jantar da classe média baixa é o que historicamente mais sofre em momentos de inflação. Quando olhamos o histórico gerado pelos institutos de pesquisa, percebemos que as classes A e B mantêm o consumo mesmo em momentos de inflação ou recessão econômica. Apenas reduzem a frequência”, avalia o consultor.

*Fonte: Foodconection

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