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Fim da escala 6×1 pode encarecer o “almoço de domingo”, alerta Abrasel-PE

  • PUBLICADO EM: 12/03/2026
  • Tempo estimado de leitura: minuto(s).

​Setor de bares e restaurantes projeta aumento de 20% nos custos operacionais caso mudança na escala 6x1 seja aprovada sem diálogo; interior do estado e pequenos negócios seriam os mais afetados

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Como o setor trabalha com margens de lucro muito apertadas, o aumento do custo operacional para manter as portas abertas todos os dias da semana pode ser inevitável. Foto: ANR/divulgação

O debate nacional sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 horas colocou em alerta um dos setores que mais emprega em Pernambuco: o de alimentação fora do lar. Diferentemente de outros segmentos, bares e restaurantes operam de forma ininterrupta, acompanhando o ritmo de lazer e turismo da população. Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Pernambuco (Abrasel-PE), a medida, se imposta sem critérios técnicos, pode resultar em redução de horários de funcionamento e repasse de custos para o consumidor final.

​Ao Movimento Econômico, o presidente da Abrasel-PE, Tony Sousa, destaca que há uma confusão conceitual no debate público que precisa ser esclarecida. “A escala de trabalho, como o modelo 6×1, trata da distribuição dos dias ao longo da semana. Já a jornada semanal de 44 horas se refere ao total de horas trabalhadas. Temos alertado que os dois assuntos sejam debatidos de forma separada e com diálogo entre trabalhadores, empresários e poder público”, explica.

O peso no bolso do consumidor

A principal preocupação para o cliente que frequenta o happy hour ou o tradicional almoço de domingo é o preço. Como o setor trabalha com margens de lucro muito apertadas, o aumento do custo operacional para manter as portas abertas todos os dias da semana pode ser inevitável.

​Segundo análises da associação, a necessidade de novas contratações para cobrir as folgas adicionais pode elevar os custos operacionais em cerca de 20%. “Em alguns cenários analisados pela entidade, isso poderia representar um impacto estimado entre 7% e 8% no preço final ao consumidor. Temos defendido que o debate considere os efeitos sobre toda a cadeia, incluindo o consumidor”, ressalta Tony Sousa.

Desafios operacionais e o “apagão” de mão de obra

A mudança na estrutura de trabalho ocorre em um momento no qual o setor já enfrenta dificuldades crônicas para preencher vagas básicas em cozinhas e salões. O presidente alerta que a necessidade de inflar as equipes para manter o atendimento ininterrupto pode aprofundar o déficit de profissionais qualificados.

​De acordo com o gestor, se o restaurante precisar manter o mesmo horário de funcionamento, será necessário reorganizar equipes ou contratar mais pessoas. “Caso isso não seja possível, alguns estabelecimentos podem precisar reduzir horários ou dias de funcionamento. Em Pernambuco, isso ganha ainda mais relevância porque bares e restaurantes acompanham o calendário cultural e turístico do estado, como o Carnaval e eventos no litoral e interior”, afirma.

​Impacto desproporcional no interior

A vulnerabilidade, aponta a Abrasel-PE, é maior quando se observa o mapa de Pernambuco fora da Região Metropolitana. Pequenos estabelecimentos familiares no interior do estado têm menor capacidade de absorver custos ou encontrar mão de obra qualificada para novas escalas.

​“Vemos muitos exemplos de restaurantes familiares no interior e no litoral que dependem de equipes enxutas para manter suas atividades. Por isso a entidade defende que o debate leve em consideração as diferenças regionais e a realidade dos pequenos negócios, que representam a maior parte do setor”, reforça Sousa.

​Flexibilidade como caminho

Como alternativa para equilibrar a viabilidade econômica com o bem-estar do trabalhador, a Abrasel aponta para modelos já existentes, como o trabalho intermitente. Esse formato permite a contratação por períodos específicos de maior demanda, garantindo todos os direitos trabalhistas.

​“Esse modelo pode oferecer mais flexibilidade, permitindo que profissionais sejam chamados em momentos de maior movimento. É fundamental encontrar soluções que equilibrem a qualidade de vida dos trabalhadores, a sustentabilidade dos negócios e o acesso da população aos serviços”, conclui.

*Fonte: Movimento Econômico

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