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Para a Abrasel, além de ineficaz, medida cria mais uma responsabilidade para os empresários e gestores de um dos setores mais atingidos pela pandemia: a da fiscalização

Alguns estados e municípios passaram a exigir o “passaporte da vacina”, comprovante de vacinação contra Covid-19 que deve ser apresentado pela população para acessar eventos, estádios, bares, restaurantes e outros ambientes coletivos. Para a Abrasel, a medida não é razoável e nem exequível e traz prejuízos ao setor de alimentação fora do lar e aos próprios cidadãos.

Para o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, essas decisões, além de ineficazes no combate à pandemia, são um desserviço. “Com a medida, criamos uma diferenciação entre os cidadãos, entre aqueles que já se vacinaram e os que não podem ou não tiveram a oportunidade de receber a vacina".

"Há pessoas que, por restrições de saúde, não podem ser imunizadas agora. Elas serão impedidas de entrar no restaurante? E aqueles que vêm de outros estados ou cidades, onde a campanha de vacinação está mais lenta, ficarão impedidos de comer onde se exige o passaporte? Não faz o menor sentido”, destaca.

De acordo com a Abrasel, cria-se, ainda, mais uma responsabilidade para os empresários e gestores de um dos setores mais duramente atingidos pela pandemia: a da fiscalização.

“Caso um cliente se recuse a mostrar a comprovação da vacina, como os estabelecimentos devem proceder? Acionando a polícia? Os policiais vão dar conta de atender essas demandas? Esse é a melhor ocupação da força policial? São perguntas que a gente se vê obrigado a fazer diante de uma decisão estapafúrdia dessas”, completa Solmucci.

Com a vacinação avançando em todo o país e o número de casos e óbitos diminuindo drasticamente há semanas, a adoção do passaporte é inócua no combate à pandemia. “Já são mais 98% da população adulta com a imunização completa, 81,4% com ao menos uma dose, e o Brasil é um dos países mais eficazes e avançados na vacinação da população. Qual o sentido de pedir a comprovação nesse cenário? Não seria muito mais exitoso promover uma forte campanha para aumentar os índices da segunda dose?”, questiona.

Solmucci observa também que alguns estados estão registrando altas de outras doenças, como a Influenza (gripe). “Com o foco na exitosa vacinação conta Covid, outras campanhas de imunização ficaram em segundo plano. O número de casos relacionados a essa influenza, por exemplo, tem aumento. Os governadores e prefeitos estariam sendo mais produtivos focando no fortalecimento dessas campanhas e contenção desses surtos do que impondo o passaporte”, defende.

A Abrasel tem alertado para um cenário que vem se repetindo em todo o País: governadores e prefeitos legislando por meio de decretos em questões importantes, muitas vezes sem diálogo. “Nossa impressão é que há uma necessidade imperiosa de mostrar que algo está sendo feito pela população. Os governantes pegam um exemplo de fora do país, em cidades onde o índice de vacinação está absurdamente mais baixo do que no Brasil, e tentam implementar por aqui".

"E isso gera um efeito contrário muito perigoso, que é a falsa sensação de segurança, com pessoas afrouxando os cuidados, como uso de máscara e distanciamento. Tomar as duas doses da vacina não significa que a pessoa não possa ser portadora do vírus e transmiti-lo a outras. Se algo nessa linha tiver que prosperar, precisa ser debatida com seriedade e competência científica e operacional no Parlamento”, finaliza Solmucci.

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