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Apesar do pequeno alívio promovido pelo novo decreto estadual, situação dos bares e restaurantes segue crítica

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Pernambuco – Abrasel em PE – recebeu com certo alívio as novas medidas restritivas anunciadas na última quinta-feira (10) pelo governo de Pernambuco. Segundo o presidente da instituição, André Luiz Araújo, apesar de ainda não ser o cenário ideal, a retomada das atividades na Região Metropolitana do Recife nos fins de semana, ainda que em horário restrito, e a liberação dos bares e restaurantes do Agreste, traz um respiro ao setor, que segue em crise.

“É um alívio, mas ainda não é o ideal para a sobrevivência do segmento de alimentação fora do lar. A situação é realmente delicada. Esperamos que o próximo passo seja evoluir do ponto onde paramos: na luta pelo funcionamento até as 22h, pelo menos durante a semana. Observando sempre a segurança do público e dos trabalhadores do setor”, explica André.

O presidente da Abrasel em Pernambuco ainda ressalta que os bares e restaurantes do estado seguem cumprindo com suas responsabilidades, seguindo todos os protocolos sanitários. “As regras, inclusive, foram criadas por nós em parceria com o comitê de acompanhamento da crise do coronavírus do governo de Pernambuco. Discutimos profundamente o que poderia ser feito para conter o avanço do vírus e desde então nos desdobramos para que esse cumprimento seja feito. Tivemos aproximadamente 94% de aprovação da própria fiscalização pelo cumprimento dessas regras”, diz André Luiz Araújo.

De acordo com o representante da associação, uma prova de que o setor não é um dos principais vetores no aumento dos casos é que desde março, quando a ocupação dos leitos hospitalares aumentou e as medidas restritivas voltaram a ficar mais rígidas para os bares e restaurantes, não houve uma queda significativa na contaminação em Pernambuco.

A principal queixa da Abrasel em PE segue sendo o rigor com que o setor vem sendo tratado, enquanto outros seguem sem fiscalização, provendo aglomerações. “Basta olharmos para as filas de bancos, lotéricas e do transporte coletivo. Uma maior fiscalização desses serviços seria benéfica para todos”, diz o presidente.
“Defendemos sim o uso de máscara, de álcool em gel, o distanciamento social, mas ao mesmo tempo temos que encontrar um ponto de equilíbrio pra manter os negócios funcionando, os empregos e dar ao setor uma condição mínima de sobrevivência”, completa.

Abrasel Nacional

A situação do setor está tão delicada que a Abrasel Nacional acaba de entrar na justiça com ações de reparação em todas as cidades e estados onde possui associados. Segundo os dados da associação, mais de 30 mil estabelecimentos foram fechados em todo o Brasil e entre os que sobreviveram até o momento, a maioria está com prejuízo (72%). “Esse é o retrato atual do setor de bares e restaurantes no Brasil, injusta e desproporcionalmente afetado pelas restrições impostas por estados e municípios durante a pandemia”, diz o presidente da Abrasel Nacional, Paulo Solmucci.

As ações civis públicas exigem reparação financeira aos negócios do setor em função das graves e comprováveis perdas registradas pelos negócios do segmento nesse período, uma consequência direta das medidas restritivas.
“Enquanto houve setores que ganharam com a crise, fomos um dos mais prejudicados pelas medidas impostas. Não estamos discutindo o mérito destas iniciativas – se foram lícitas ou não – nem mesmo associando as ações na Justiça a qualquer prefeito ou governador em específico, nem à qualidade de suas decisões. Temos clareza de que as perdas provocadas no setor foram resultantes de atos do executivo municipal e estadual, portanto, cabe a estes a responsabilidade pela reparação” afirma o presidente da Abrasel Nacional.

Na justiça, a Abrasel moveu ações em todos os estados da federação e em 270 municípios, exigindo a reparação financeira para os estabelecimentos associados, uma limitação imposta pela própria legislação. “Estamos trabalhando politicamente para que a ação seja estendida a todo o setor. Acreditamos que na medida em que expõe o problema e chama a atenção da sociedade para a importância dos bares e restaurantes, a campanha traz benefícios a toda a coletividade”, argumenta Paulo Solmucci.

Segundo a Abrasel Nacional, com a causa coletiva ganha, o próximo passo será que cada estabelecimento ingresse com uma ação individual apresentando os cálculos de perdas comprováveis em função das medidas do poder público e pedindo a reparação correspondente.

Dia dos Namorados – Como a flexibilização no funcionamento dos bares e restaurantes no sábado, dia 12 de junho, foi negado pelo governo de Pernambuco, a Abrasel em PE e as casas pernambucanas iniciaram uma ação nas redes sociais, na última segunda-feira (7), incentivando o público a comemorar o Dia dos Namorados antecipadamente, no dia 11 de junho, sempre respeitando as regras e os horários estabelecidos. Outra opção indicada aos casais pela Abrasel em PE é apostar no delivery dos bares e restaurantes, que, em sua maioria, estão com promoções especiais para a data, com combos, preços mais acessíveis e novos pratos.

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