Gorjeta sobe para 12% em alguns restaurantes no Rio, mas continua opcional

Aumentar a taxa foi a forma encontrada pelos empresários para compensar as perdas dos empregados

Os bares e restaurantes do Rio de Janeiro estão cobrando mais caro pela gorjeta. O valor sugerido para a taxa de serviço passou a ser de 12%, e não mais os 10% tradicionais, de acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio de Janeiro (Abrasel). Isso porque, pela nova legislação, a gorjeta passou a ser incorporada como parte do salário do funcionário e está sujeita a tributação - a empresa deve reter uma parte do valor da gorjeta para pagar encargos sociais, previdenciários e trabalhistas que serão, futuramente, convertidos em benefício do próprio trabalhador. Por um lado, isso é bom para o garçom, que terá o valor somado ao salário-base no cálculo de aposentadoria, férias, décimo terceiro e FGTS. Mas, por outro, serão pagos impostos sobre o valor da gorjeta, o que, na prática, diminui o montante direto que o funcionário recebe no fim do mês. Restaurantes de São Paulo e Minas Gerais também estão elevando o valor sugerido para a  gorjeta.

O  pagamento da gorjeta continua não sendo obrigatório para os clientes e cada estabelecimento poderá sugerir o que considerar adequado. "A gorjeta continua sendo espontânea, se você não foi bem atendido, não tem que pagar. Mas, mesmo com 2% a mais, eles (os garçons) vão continuar a receber menos por causa dos descontos", diz o presidente da Abrasel no RJ, Roberto Maciel.

De acordo com Maciel, aumentar a taxa foi a forma encontrada pelos empresários para compensar as perdas dos empregados, em vez de aumentar o salário do garçom. O salário-base da categoria gira em torno de R$ 1.300, mas há quem chegue a receber R$ 3 mil a mais em gorjetas. Com a nova lei, o trabalhador passou a ter parte da gorjeta no contracheque e, com isso, mais descontos previdenciários e de Imposto de Renda. Alguns restaurantes adotaram percentual de até 13% para compensar esses descontos no contracheque e manter a mão de obra qualificada — diz Antônio Ângelo, presidente dos Sindicatos dos Garçons do Rio.

Fonte: Portal Extra