Como prevenir risco de acidentes e trabalhar a saúde nos bares e restaurantes

Os cuidados que o gestor têm de tomar em bares e restaurantes e são decisivos para prevenir acidentes com clientes e funcionários

A segurança no trabalho é um tema indispensável para qualquer empresa, inclusive bares e restaurantes. Dentro de uma cozinha industrial, por exemplo, existem vários riscos à saúde do trabalhador. Portanto, o empresário precisa planejar com cuidado os espaços e processos de trabalho, além de treinar bem a equipe, sabendo que um ambiente seguro reduz o stress, diminui a fadiga, aumenta a produtividade da equipe e, consequentemente, reduz as chances de acidentes com clientes e funcionários.

Foi o que fez a empresária Gabriella Salles, proprietária, junto a outros quatro sócios, da casa San Ville Grill, localizada na região centro-sul de Belo Horizonte. Aberto há pouco mais de um ano, os empresários investiram quase R$ 2 milhões, grande parte dessa quantia em infraestruturas que colocaram o restaurante dentro de todas as normas regulamentadoras exigidas pelo Ministério do Trabalho para o setor. Na churrascaria, há buffets com pista quente ao invés de rechauds - que podem ser foco de acidentes com álcool em gel. Além disso, as cozinhas possuem ar-condicionado para reduzir o calor, o piso é antiderrapante e os motores dos equipamentos são externos, reduzindo os ruídos no local.

“Temos a consciência de que o trabalho é uma extensão da vida pessoal. Por isso, possuímos aqui uma empresa de segurança do trabalho e medicina ocupacional para dar suporte e treinamento necessário para todos nossos funcionários”, afirma a empresária.

Além dos investimentos estruturais, o especialista em segurança do trabalho, Rafael Duarte, da empresa SMS do Trabalho, aponta outras medidas que devem ser tomadas por gestores de bares e restaurantes para minimizar riscos de acidentes. “Evitar sobrecarga e jornadas prolongadas, fornecer e fiscalizar a utilização dos equipamentos de proteção, capacitar a equipe com treinamentos e manter em dia a manutenção do ambiente de trabalho”, elenca.

Dentro da lei

Desde pequenos incidentes até ocorrências mais graves são indenizáveis pelo Seguro de Responsabilidade Civil (RC), um tipo de proteção voltada especialmente para cobrir gastos relacionados a danos causados a terceiros, assunto que já foi inclusive abordado em reportagem da revista Bares & Restaurantes, edição 107. Neste grupo, estão incluídos clientes, funcionários, prestadores de serviços e fornecedores que estiverem no recinto.

Embora no Brasil contratar este tipo de seguro não seja obrigatório para bares e restaurantes, ele pode evitar muitas dores de cabeça para os empresários. Acidentes sérios, que envolvam lesões corporais por quedas, queimaduras, dentre outras situações, podem gerar encargos comprometedores para a saúde financeira de um empreendimento. “O RC deve ser integrante à estratégia para proteger o patrimônio do empresário, investidor e proprietário”, afirma Marcio Guerrero, presidente da Comissão de Responsabilidade Civil da Federação Nacional de Seguros Nacionais (FenSeg).

Para o setor, formado por estabelecimentos onde há intenso fluxo de pessoas, objetos e alimentos, há uma modalidade específica do seguro, denominada Responsabilidade Civil para Bares e Restaurantes. “Recomenda-se que o empresário procure empresas especializadas em responsabilidade civil para sanar dúvidas e encontrar algo especializado às suas atividades específicas. O que o segurado precisa evitar é a compra do seguro de RC dentro de uma apólice de seguro empresarial, pois existem algumas limitações de coberturas que só são descobertas posteriormente”, salienta Guerrero.

Há outros programas que são obrigatórios: o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) e o PRPA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais). O PCMSO estabelece a realização de exames médicos e tem o objetivo de monitorar, prevenir e encontrar possíveis danos à saúde e integridade do empregado e, assim, detectar riscos prévios, especialmente as doenças relacionadas ao trabalho.

Já o PRPA estabelece a todos os empregados e empresas a obrigação de promover ações voltadas para preservar a saúde e a integridade dos trabalhadores, por meio do reconhecimento, antecipação, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho.

Ambos os programas devem ser elaborados por técnicos de segurança do trabalho, mas isso não significa que o bar ou restaurante é obrigado a contratar um funcionário exclusivamente para esta função, como explica Rafael Duarte, da SMS do Trabalho. “Apenas empresas grau de risco 4 e com 50 funcionários ou mais precisam ter técnico de segurança do trabalho. Bares e restaurantes costumam ter grau de risco 1 ou 2, portanto a obrigatoriedade de se ter um técnico, nestes casos, parte de 500 funcionários”, esclarece.

Fonte: Revista Bares e Restaurantes, edição 115. A matéria completa está disponível na versão impressa.
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