Recife se rende a espaços alternativos para festas

Hábitos de consumo vêm mudando na capital pernambucana e seguindo uma tendência mundial

Já se foi o tempo em que as grandes casas de festas eram os únicos lugares possíveis para a realização de eventos, sejam eles corporativos ou não. Nos últimos anos, os hábitos de consumo têm se reinventado e, nesse cenário, a procura por locais alternativos vem crescendo. Museus, galerias de arte e restaurantes são alguns dos espaços escolhidos hoje em dia. A tendência impacta diretamente no mercado, que precisa se adaptar para atender a essa necessidade, e representa uma economia para o consumidor final.

“Esse movimento já é uma tendência mundial, e no Brasil nós temos vários exemplos, como os eventos que acontecem no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro”, diz a cerimonialista Tatiana Marques, enfatizando que o Recife tem muitos locais com grandes potenciais, a exemplo do Museu do Estado e do Gabinete Português de Leitura. “Em qualquer lugar do mundo, esses gabinetes são grandes centros de eventos devido à beleza arquitetônica”.

Além da inovação, a realização de festas em locais alternativos também traz benefícios econômicos, segundo Tatiana. “Em festas de aniversário, por exemplo, é muito comum as pessoas se reunirem em bares ou restaurantes. Em vez de contratar um buffet, utiliza-se o sistema de comandas individuais, onde cada pessoa paga pelo que consome, e que impacta numa grande redução de custos”, explica. Para empresas, o custo total tende a ser mais barato também, já que em muitos casos não há grandes gastos com decoração porque os estabelecimentos já dispõem de uma infraestrutura completa. Empresas das áreas de tecnologia, logística, comunicação e gastronomia são algumas das que costumam apostar mais em lugares alternativos.

Presidente da Associação de Bares e Restaurantes de Pernambuco (Abrasel-PE), André Araújo afirma que a natural necessidade de diversificação das atividades fez com que o setor passasse a investir mais. “A partir do momento em que o empresário enxerga que não pode ficar limitado à venda de alimentos e bebidas, essas opções de atividade acabam se incorporando ao dia a dia dos negócios”.

Ele lembra, ainda, que em momentos de crise econômica surgem grandes oportunidades. “Os consumidores vêm buscando alternativas porque tudo ficou mais limitado”, ressalta, acrescentando que bares e restaurantes já funcionam num formato muito parecido ao de um espaço de eventos. “Basta algumas modificações e definir a proposta para ter um equipamento novo. Existem algumas casas tradicionais que saíram completamente do ramo de bar ou restaurante e passaram a investir em eventos”, diz.

Funcionando no Recife desde agosto do ano passado, a Coco Bambu é um dos estabelecimentos que aposta nesse público cada vez mais crescente. “Começamos de maneira bem tímida e hoje realizamos aniversários, miniweddings (casamentos para até 20 pessoas), eventos corporativos, entre outros”, explica Eduardo Medeiros, sócio-diretor do restaurante. O estabelecimento, conta ele, é equipado com quatro salões de eventos que são isolados da área comum e possuem equipamento de som independente e proteção acústica. Ele reforça que os clientes pagam apenas pelo serviço oferecido. “É uma ótima opção para quem quer fugir de buffet. Temos um serviço diferenciado e espaços já decorados”.

Fonte: Diario de Pernambuco