Pesquisa de Conjuntura Econômica do Setor de Alimentação Fora do Lar - 2º Trimestre de 2016

A crise no setor de alimentação fora do lar (AFL), que levou um terço das empresas a realizarem prejuízo, dá sinais de ter encontrado seu ponto de inflexão. O desempenho dos negócios parou de piorar e aparecem os primeiros sinais de que ganhos de rentabilidade podem estar voltando, após a mais grave crise dos últimos 16 anos. Parcela importante do setor aparentemente encontrou um novo e melhor patamar de produtividade com 25% das empresas apresentando ganhos de rentabilidade.

O desanuviamento do ambiente político com o governo Temer e suas anunciadas intenções de reformas pró-empreendedorismo, levou a maioria absoluta (63%) das empresas a acreditar que o segundo semestre será melhor que o primeiro, um crescimento expressivo em relação aos 16% apurados na edição anterior da pesquisa.

Este otimismo corrobora com a previsão da Abrasel do início do ano, mantida nessa edição da pesquisa, de que as perdas do primeiro semestre serão compensadas pelo crescimento do faturamento no segundo semestre, o que levaria a um crescimento em termo real nulo. O crescimento nominal está previsto em 7,5%, alinhado com nossa expectativa para inflação geral do país.

Infelizmente, as boas expectativas com relação ao crescimento de vendas e melhora da rentabilidade de uma parcela importante das empresas do setor não impedirão que os duros reflexos da crise se estendam e levem muitas empresas e empregos a serem eliminados.

A Abrasel estima que esse quadro negativo para as empresas e empregos deverá se manter até abril de 2017, ano em que o faturamento bruto do setor deverá ter alta real de 2%, primeira expansão após dois anos de desempenho fraco.

Faturamento

Ainda sentindo os reflexos do encolhimento do mercado, o setor concentra perda de 5,44% no faturamento acumulado nos últimos 12 meses. O número indica uma melhora em dois sentidos: a redução da queda de faturamento acumulada em 12 meses que passou de 6,85%, no primeiro trimestre, para 5,44% no segundo trimestre, e do número de empresas que perderam faturamento. Nesta edição 49% das empresas apontaram estabilidade ou crescimento de receita nos últimos 12 meses, número bem melhor do que os 41% da edição anterior da pesquisa.

A metade das empresas que conseguiu se adaptar à crise o fez adequando-se às demandas do consumidor, ajustando modelos de negócio e oferta de valor para o cliente - em geral estas mudanças resultaram em tíquetes médios menores.

Rentabilidade

A pressão dos consumidores por preços mais acessíveis e os ganhos de produtividade obtidos por parcela relevante das empresas permitiram que o setor reajustasse os preços de seus cardápios no segundo trimestre (1,13%) abaixo da inflação no período (IPCA 1,75%) dando sequência ao movimento identificado na edição passada que apontou pela primeira vez os preços do setor subindo menos que a inflação média do país e bem menos que a inflação da alimentação dentro de casa (3% IPCA IBGE).

O índice médio de reajuste de preços dos cardápios (1,13%), embora seja um indicador (uma proxy) da inflação do setor (2,31%), nem sempre reflete de maneira próxima a inflação do setor. Isto ocorre porque este índice não está ponderado pela representatividade dos itens da cesta de consumo dos clientes.

Feita a consideração acima, vale destacar que os preços de importantes itens do cardápio dos bares e restaurantes subiram acima da inflação geral por conta do repasse de aumento de impostos indiretos como o ICMS e o IPI que foram e continuam sendo majorados, especialmente pelos estados. Estão neste grupo bebidas frias, cigarros e, variando por estados, muitos outros produtos, como carnes processadas e produtos industriais à base de farinha no DF.

De qualquer forma, neste ano o setor continua ganhando competitividade frente ao consumo dentro do lar. Enquanto os preços subiram, segundo o IBGE, 2,31% para as refeições fora do lar no 2º trimestre, os de consumo dentro do lar subiram 3%. No primeiro semestre a alta para o consumo dentro do lar (8,79%) é quase o dobro da dos preços do consumo fora do lar (4,69%).

Um outro ponto que merece destaque positivo é um expressivo grupo de empresas (25%) que afirma ter melhorado a rentabilidade no segundo trimestre em comparação com o primeiro. Mais um indicador, talvez o melhor deles, a apontar que o pior possa ter ficado para trás. Lamentavelmente, como já destacado, as boas notícias não são para todos, pois 36% das empresas ainda continuam realizando prejuízos.

Quadro de pessoal

A busca incessante por ganhos de produtividade e a pressão gerada sobre as empresas que ainda apresentam resultados negativos fez com que quase a metade das empresas (47%) reduzisse seu quadro de pessoal, um número significativamente menor que na edição anterior da pesquisa (64%), mas ainda muito elevado.

Reclamações trabalhistas

O volume de reclamações trabalhistas do setor se mantém estável com 4 em cada 10 empresas com pelo menos 1 reclamação trabalhista nos últimos 12 meses. A estabilidade registrada por dois trimestres pode ser o prenúncio da redução deste grave problema, mas ainda impressiona pela quantidade e o impacto devastador sobre a saúde destas pequenas empresas.

Concorrência

Fruto da acomodação da crise, a concorrência crescente percebida reduz de 47% para 34% do universo de empresas pesquisadas, reforçando ideia de que o ambiente de negócios está menos hostil.


Previsões

Faturamento

A expectativa de crescimento do faturamento apresentada pelas empresas para o segundo semestre (3,06%) não avaliza a previsão da Abrasel de que o crescimento do 2º semestre será capaz de anular a queda acumulada no 1º semestre que foi de 4,6% (PMS/Jun16/IBGE). Ainda assim, a Abrasel manterá a sua previsão, pois o número médio foi puxado pelo pessimismo da região sudeste que nos parece ampliado por conta do até então conturbado ambiente político.

Quadro de Pessoal

Após longo período de demissões o setor parece que desacelerará o seu ajuste no quadro de pessoal. Enquanto 1 em cada 3 empresas ainda prevê demissões, outras 2 em cada 3 falam em estabilidade ou contratação até o final de 2016.

Ambiente de Negócios para o Setor

A grande surpresa deste levantamento foi a intensa melhoria das expectativas do setor para com o 2º semestre. Enquanto na edição anterior apenas 16% acreditavam num 2º semestre melhor, nesta um contingente quatro vezes maior (63%) aposta na melhoria do ambiente de negócios.