Recessão faz com que 34% dos bares e restaurantes operem no vermelho

Os dados são da Pesquisa de Conjuntura Econômica do Setor de Alimentação Fora do Lar realizada pela Abrasel

A crise no setor de alimentação fora do lar, que vem desde o primeiro trimestre do ano passado, atingiu seu ápice no mesmo período deste ano. A situação chegou a tal ponto que pouco mais de um terço das empresas do segmento afirma operar no prejuízo.

altA gravidade do atual cenário fica clara em outro dado divulgado na 'Pesquisa de Conjuntura Econômica do Setor de Alimentação Fora do Lar', realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em parceria com a Fispal. Segundo o estudo, 19% dos empresários entrevistados acreditam que podem fechar as portas nos próximos 12 meses.

Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci Jr., esse crescimento no número de bares e restaurantes operando no vermelho - no primeiro trimestre de 2015 esse valor era de 15% - aconteceu em decorrência de dois fatores principais: ao mesmo tempo que há um forte crescimento nos custos operacionais, que têm subido acima da inflação, as empresas não conseguem repassar esse aumento para o cliente.

"Com a crise, o cliente está com o bolso muito apertado, procurando gastar menos. De forma alguma ele aceitaria um aumento nos preços", afirma. De acordo com o levantamento, foram justamente os estabelecimentos com um tíquete médio menor os que tiveram os melhores resultados no primeiro trimestre deste ano.

As lojas com um valor médio gasto por cliente de menos de R$ 15 apresentaram um crescimento de 5% a 15% no faturamento do período, na comparação interanual. Os bares e restaurantes onde essa cifra varia de R$ 25 a R$ 70 por cliente, por outro lado, tiveram uma retração que chegou até 30%. "Os clientes não deixaram de frequentar os bares e restaurantes, no entanto, eles fizeram um downgrade do consumo", explica Solmucci.

Essa mudança fez com que - depois de uma década reajustando os preços acima da inflação - o setor corrigisse, no primeiro trimestre deste ano, valores menores que o indicador. Os preços foram corrigidos pela metade do IPCA: reajuste de 1,33% contra um IPCA de 2,62% de janeiro a março.

Demissão e concorrência

Nesse cenário turbulento, a redução do quadro de funcionários foi uma consequência natural para as empresas. No período analisado 64% dos empresários afirmaram ter reduzido o número de funcionários; 30% mantiveram estável; e apenas 6% disseram ter elevado o quadro. Segundo Solmucci Jr, essa queda já vem de um ano e meio atrás. De lá para cá, o setor viu uma diminuição de cerca de 10% do quadro de pessoal, e a tendência para o curto prazo é que esse movimento de demissões se agrave. A previsão da entidade é que, ao fim de 2016, 250 mil empregos tenham sido eliminados.

Outro aspecto que tem se acirrado com a recessão econômica é a concorrência entre as empresas. Segundo a pesquisa, uma em cada duas companhias do segmento enxergam uma concorrência crescente. Nesse quesito, são os bares e restaurantes localizados nas ruas os que têm a percepção mais positiva.

Enquanto 58,3% dos estabelecimentos localizados em centros comerciais perceberam um acirramento na concorrência, nas lojas de rua esse valor cai para aproximadamente 43%, revelava o levantamento da Abrasel.

Além de uma percepção mais favorável em relação a competição, os bares e restaurantes de rua parecem estar se saindo melhor também nos outros quesitos. "Na recessão o consumidor acaba preferindo os estabelecimentos de rua, já que os gastos são menores. Em geral, as pessoas vão em locais próximos de suas casas, então não há gastos com estacionamento e gasolina, por exemplo", diz Solmucci, da Abrasel.

Previsões

Todo esse quadro que se formou no setor de alimentação fora do lar, com a recessão, tem feito com que as empresas fiquem pessimistas em relação ao futuro. A grande maioria dos entrevistados (66%) prevê que o ano de 2016 será pior do que 2015, sendo que 28% esperam um ano "muito pior", enquanto 38% acreditam que ele será "um pouco pior".

Em relação aos custos operacionais totais (aluguel, mão de obra, insumos, energia, etc), a expectativa de 76% dos empresários é de que eles cresçam acima da inflação do ano.

Apesar disso, a entidade acredita que as empresas que sobreviveram à recessão devem sair fortalecidas, e com um ganho alto de escala.

Fonte: DCI - Diário, Comércio, Indústrias & Serviços