Bares e restaurantes devem se adequar à legislação

Bares e restaurantes do Recife terão de se adequar a uma lei aprovada pela Alepe que obriga todos os estabelecimentos que comercializem comida pronta a afixarem cartazes informativos que indiquem a forma correta de aplicar a manobra de Heimlich. Essa manobra ajuda no processo de desobstrução das vias aéreas em pessoas engasgadas.

Segundo o deputado Beto Accioly (PSL-PE), autor da lei, a determinação trará benefícios aos consumidores. “Existe muito pouca informação sobre o que deve ser feito em caso de engasgo e muitas pessoas acabam morrendo em pouco tempo por falta de socorro. Em caso de acidente, os cartazes trarão informações e ajudarão os clientes dos estabelecimentos a prestar os primeiros socorros”, explica. Em relação à eficácia da norma, Accioly reconhece sua inaplicabilidade no momento. “Sei que a lei ainda não está sendo seguida pelos restaurantes e precisaremos repensar sua fiscalização”, analisa.

Para André Araújo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Pernambuco (AbraselPE), a determinação da Alepe é importante para o estado. “Essa é uma lei bastante comum nos Estados Unidos e é muito adequada a nossa realidade, pois está relacionada ao cuidado que os estabelecimentos devem ter com os seus clientes”, afirma. Araújo adianta que deverá viabilizar treinamentos para seus associados. “Os cartazes não são suficientes. Estamos com a proposta de promover um encontro entre nossos parceiros e os bombeiros para simulações e explicações práticas”, pontua.

Gerente de um restaurante no centro do Recife, Ribamar de Lira, afirma que ainda não tinha conhecimento da nova lei, mas diz que seguirá as normas. “É importante, porque caso aconteça de alguém se engasgar e não tiver ninguém preparado, sem o cartaz, podem fazer o procedimento de forma inadequada e causar problemas”, avalia.

Já para alguns consumidores, a lei não resolve o problema. “Os garçons deveriam ter alguma capacitação especial, pois o consumidor pode se assustar com a situação e acabar atrapalhando e até piorando o estado da pessoa engasgada”, opina a arquiteta Cecília Boeckmann, frequentadora de restaurantes da capital pernambucana.

Bombeiros

O Corpo de Bombeiros do Estado de Pernambuco, entretanto, avalia de forma positiva a normatização. “Uma pessoa com obstrução das vias aéreas pode em três ou cinco minutos evoluir para um estado de parada cardiorrespiratória por falta de oxigenação no corpo e a partir dai, a cada minuto sem atendimento, o paciente perde 10% de chances de sobreviver”, explica o Coronel Edson Marconni, que desenvolveu um aplicativo para celulares que reúne uma série de informações sobre atendimento de primeiros socorros.

“A tentativa de salvar a vida de alguém engasgado é extremamente válida, pois mesmo que não seja realizado de forma adequada, as chances do procedimento indicado pela lei piorar o quadro do indivíduo são baixíssimos”, analisa.

“Desconheço algum caso em que a manobra não tenha funcionado. É preciso que se tente realizá-la, pois até a chegada do corpo de bombeiros o paciente pode adquirir sequelas graves e até morrer”, afirma. Segundo dados do Corpo de Bombeiros, o tempo médio que uma equipe de socorristas leva para se deslocar até o local de atendimento na RMR é de aproximadamente 9,5 minutos, por isso a importância de se realizar a manobra o quanto antes.

O Coronel Marconi explica que existem diferenças no procedimento da manobra de Heimlich de acordo com o paciente, mas que, em geral, o procedimento padrão é “abraçar a vítima por trás e pressionar o abdômen dela com as mãos posicionadas acima do umbigo em movimentos firmes que imitam uma trajetória em ‘J’ de baixo para cima”, explica, anunciando que disponibilizará modelos de cartazes informativos sore a manobra para download nas redes sociais da corporação.

Fonte: Folha de Pernambuco