Sebrae lança ação para incentivar consumo de pequenas empresas

Objetivo da campanha é fortalecer a economia do país, diz entidade.
Setor é responsável por 27% do PIB.

Presidente so Sebrae, Luiz Barretto, veste camisa do Movimento Compre do Pequeno Negócio (Foto: Marta Cavallini/G1)

Marta Cavallini
Do G1, em São Paulo

O Sebrae lançou nesta quarta-feira (5) um movimento para estimular a sociedade a consumir produtos e serviços fornecidos por micro e pequenas empresas (MPEs) que, segundo a entidade, somam mais de 10 milhões de empresas no país (95% do total) e faturam R$ 3,6 milhões ao ano. O objetivo do movimento é fortalecer a economia. Segundo o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, 52% dos empregos vêm dessas empresas (17 milhões de vagas) e o setor é responsável por 27% do PIB. “Para muita gente, representa o primeiro emprego”, disse.

O Movimento Compre do Pequeno Negócio tem como data oficial o dia 5 de outubro. O Sebrae lançou o hotsite www.compredopequeno.com.br para que empreendedores possam cadastrar suas empresas para serem encontradas pelos consumidores que vivem ou trabalham perto delas.
“A expectativa é que se torne uma data em que as pessoas comprem das micro e pequenas e colaborem com o crescimento da economia”, disse Barretto.

De 21 a 26 de setembro, haverá ações para empreendedores com mais de 300 mil atendimentos com orientações, consultorias e seminários sobre controle de custos e atendimento ao cliente. Segundo o Sebrae, as razões que serão usadas na campanha para estimular os consumidores a comprar dos pequenos empresários serão proximidade de casa, o dinheiro fica no bairro, o pequeno negócio desenvolve a comunidade, gera empregos e fortalece a economia.
Dados do Sebrae mostram que, do total de micro e pequenas empresas, 44% estão no comércio, 35% no setor der serviços, 7% na construção e 13% na indústria. Sobre o perfil dos empreendedores, 51% são mulheres, 53% têm até 34 anos e 55% são da classe C.

Segundo Barretto, no primeiro semestre de 2013, 2014 e 2015 foram geradas em cada um deles ao redor de 750 mil novas micro e pequenas empresas no país. “A pequena empresa é o grande bastião do emprego, mesmo num período de grande dificuldade. Demora mais para formar um profissional, emprega mais e demite menos”, disse Barretto.

“As MPEs não são uma ilha, elas sofrem os efeitos da economia, os setores de franchising e restaurantes estão crescendo, principalmente os com tíquete médio menor, mas temos regiões com mais dificuldades do que as outras, como São Paulo. Já a indústria tem desempregado maior, e os pequenos também sofrem, como os relacionados à indústria automobilística, e é evidente que teremos um ano mais difícil, certamente o faturamento será menor em comparação com o do ano passado", disse Barrto.
Segundo o presidente do Sebrae, a entidade tem que estar ao lado dos empresários para fazer a travessia. "Se o empresário se paralisar, ele dança mais ainda. Todo mundo tem suas dificuldades, então ele tem que fazer a diferença para sobreviver e tocar a sua vida”, declarou.
Para Bruno Caetano, superintendente do Sebrae-SP, uma pesquisa mostra que o setor tem espaço para crescer. “37% dos consumidores se dão conta que compram dos pequenos negócios, mas quando a gente expõe a importância do setor para a economia paulista, esse número cresce para 75%. Uma parte significativa quando informada adequadamente sobre a importância, se mostra disposta até a pagar um preço maior pelos serviços devido à importância deles para a economia, diz.

Bares e restaurantes
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci Junior, o pequeno negócio está em todo lugar, não existe grande negócio sem pequeno negócio. “Um terço de tudo o que brasileiro gasta com alimentação é fora de casa, nosso setor gera 6 milhões de empregos, ou seja, 8% do total, é o maior empregador do país”, disse. Segundo ele, cada R$ 1 gasto no setor gera R$ 2,34 em outros setores da economia.

Solmucci diz que o setor não atravessa uma crise, ao contrário do que a imprensa está informando. "Restaurantes que cobram tíquete médio abaixo de R$ 15 e R$ 20 têm registrado crescimento. Já os que cobram entre R$ 20 e R$ 30 apresentam estabilidade. A dificuldade maior está em restaurantes que cobram mais de R$ 30 o tíquete médio”, disse.

Franquias
A presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Cristina Franco, os micro e pequenos funcionam bem em cadeia. “A força dos pequenos faz a diferença em todos os momentos da economia”, afirma. Segundo ela, o faturamento do setor teve crescimento de 7,7% de 2013 para 2014, de 13,1% no segundo trimestre e de 11,2% no primeiro semestre deste ano.
A rede nacional de franquias está presente em mais de 37,8% dos municípios brasileiros e gera mais de 1 milhão de empregos diretos. O setor reúne 3.029 marcas – 512 delas de microempresas, como os foodtrucks. “Nós nos fortalecemos em ter o compromisso com o consumidor, temos um tíquete médio que cabe no bolso brasileiro”, afirma Cristina.

Fonte: Portal G1