Governo reajusta tributos das cervejas

 

As cervejas vão ficar mais caras. O Diário Oficial da União publicou ontem autorização para o reajuste de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS e Cofins para o setor de bebidas frias. O aumento estava previsto para outubro do ano passado, mas o governo decidiu adiar a elevação da cobrança. Entretanto, com a atual dificuldade de caixa agravada pelos gastos extras com o setor elétrico para compensar a redução da conta de energia, a área econômica avaliou que era o momento para reajustar as alíquotas. De acordo com o Ministério da Fazenda, o reajuste destes impostos vai gerar uma receita adicional de R$ 200 milhões. O governo estuda também intensificar a cobrança de impostos de outros setores, como o de cosméticos, mas ainda não está certo quando isto acontecerá.

O consumidor vai sentir pouca diferença no preço, segundo o Ministério da Fazenda. O aumento médio do preço final destes produtos será de 0,4%, afirmou Dyogo Oliveira, secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda. Além das cervejas, vão sofrer o aumento alguns tipos de refrescos, isotônicos e bebidas energéticas. Refrigerantes não estão na lista. Mas devem entrar em outubro, quando um novo reajuste será avaliado. Água mineral não sofrerá modificação - a tributação é zero.

Pelo decreto publicado, a porcentagem do valor destes produtos sobre a qual são calculados os impostos vai ser ampliada em 1,5%. No caso da cerveja em embalagem de vidro retornável, por exemplo, a base de cálculo dos impostos, que era de 38,3% do valor final do produto, passa a ser de 39,8%. Os reajustes na base de cálculo das bebidas frias são anuais. Começaram em 2012 e vão até 2018.

Pouco ou não, já houve reclamação. Para o vice-presidente da Associação Pernambucana de Supermercados (Apes), Djalma Cintra, não há como o setor não repassar o reajuste para o consumidor. “Se as fábricas nos trouxerem este aumento, pois algumas podem absorvê-lo, nós não teremos outra saída que não seja a de repassá-lo”, afirmou. “Agora, todo aumento, menor que seja, é ruim, pois não estamos mais no pico de consumo de cerveja, que no Brasil é em janeiro e fevereiro”, lembrou.

Já Núncio Natrielli, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes seção Pernambuco (AbraselPE), reclamou ainda mais. “É muito aumento, um atrás do outro. Até agora estamos segurando os preços, mas chegará ummomento emque isto não será mais possível”, disse. “Quando repassamos reajustes, não estamos lucrando. É que não aguentamos mais o prejuízo”, disparou.

ROMBO - Os R$ 200 milhões que serão arrecadados com o aumento de imposto sobre bebidas não farão grande diferença no rombo energético. O custo adicional para o setor é de R$ 4 bilhões.

 

Fonte: Folha de Pernambuco - http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/economia/noticias/arqs/2014/04/0009.html